As cartas de baralho são conhecidas e usadas em todo o mundo, e quase todos os cantos do globo reivindicaram sua invenção. Os chineses afirmam o pedigree mais longo para o jogo de cartas (o “jogo das folhas” era jogado já no século IX, conforme uma publicação de Cambridge). Os franceses confessam sua padronização do carte à jouer e seu ancestral, o tarô. E os britânicos alegam a primeira menção a um jogo de cartas em qualquer registro autenticado.
Hoje, o público pode saber como jogar vinte e um (blackjack) ou “buraco”, mas poucos param para considerar que um baralho de cartas é uma maravilha da engenharia, design e história. As cartas têm servido como passatempos divertidos, apostas de alto risco, ferramentas de prática oculta, truques de mágica e modelos matemáticos de probabilidade – até mesmo, às vezes, como moeda e meio para mensagens secretas.
No processo, os baralhos revelam peculiaridades de suas origens. Os nomes, cores, emblemas e designs das cartas mudam de acordo com sua procedência e os caprichos dos próprios jogadores. Esses gráficos não são apenas brinquedos ou ferramentas. São marcas culturais que revelam costumes populares.
O começo de tudo
Pergaminhos da Dinastia Tang da China mencionam um jogo de ladrilhos de papel (embora estes se assemelhem mais a dominós modernos do que cartas), e os especialistas consideram esta a primeira documentação escrita do jogo de cartas. Outras referências indicam a Arábia e a Índia como possíveis locais de origem. De qualquer forma, as caras que hoje servem ao blackjack foram provavelmente transmitidas entre o Extremo Oriente e a Europa.
Corrupção na idade média
Na Europa medieval, os jogos de cartas ocasionavam bebidas, jogos de azar e uma série de outros vícios que atraíam trapaceiros e charlatões. O jogo de cartas tornou-se tão difundido e perturbador que as autoridades o baniram. Em seu livro The Game of Tarot, o historiador Michael Dummett explica que um decreto de 1377 proibia jogos de cartas em dias úteis em Paris.
Proibições semelhantes foram decretadas em toda a Europa, pois os pregadores procuraram regulamentar o jogo de cartas, convencidos de que "o livro de imagens do Diabo" levava apenas a uma vida de depravação. Porém, todos jogavam cartas: reis e duques, clérigos, frades e nobres, prostitutas, marinheiros, prisioneiros. Mas foram os apostadores os responsáveis por algumas das características mais notáveis dos decks modernos.
E os símbolos?
O baralho de 52 cartas de hoje preserva os quatro naipes franceses originais de séculos atrás: paus (♣), ouros (♦), copas (♥) e espadas (♠). Esses símbolos gráficos, ou “pips”, têm pouca semelhança com os itens que representam, mas eram muito mais fáceis de copiar do que motivos mais luxuosos.
Alguns historiadores sugeriram que os naipes em um baralho deveriam representar as quatro classes da sociedade medieval. Taças e cálices (corações modernos) podem ter representado o clero; espadas para a nobreza ou militares; moedas (ouros) para os comerciantes; e bastões (paus) para os camponeses.
De certo, há muitas divergências na origem dos símbolos dos elementos. O que não deixa dúvidas é que a história das cartas carrega consigo uma imensa cultura a ser admirada!



